Quem não sabe pensar acredita no que pensa.

Quem sabe pensar desconfia do que pensa, e põe-se a repensar…

Arquivo da categoria ‘Filosofia’

E os ateus.. para onde vão?

Publicado por teiversonalves em Maio 22, 2007

Para o mesmo lugar que qualquer pessoa vai depois da morte, ao pó, debaixo da terra.
Muitas pessoas dizem que o ateu não tem fé, nem crê em nada. Mas seria isso verdade? Não, o ateu crê e tem fé. Não é uma pessoa muito diferente das outras, apenas não crê naquilo de que não haja nenhum indício. É pessoa que apenas precisa de alguma razão para acreditar em alguma coisa.

Quando o ateu toma um remédio que o médico indicou, ele o faz porque tem fé na eficácia do medicamento. Quando o ateu participa de uma competição, ele tem pelo menos um pouco de fé em si mesmo.

Eu não acredito nos contos de quem dizem ter vistos ETs, mas creio poder existir seres vivos em outros planetas, porque, assim como a vida se desenvolveu na Terra, pode ter-se desenvolvido em outro lugar que tenha condições favoráveis.

Eu nunca encontrei um dinossauro pelo caminho, mas não tenho dúvida de que eles tenham existido, porque os arqueólogos encontram seus ossos.

Eu creio que somos o resultado de um longo processo de evolução biológica, porque a arqueologia mostra fósseis humanos menos desenvolvido quando pesquisa passado bem remoto, e os cientistas vivem lutando contra os micróbios que se modificam constantemente.

Por outro lado,

Não consigo crer que este nosso mundo e todo o universo tenha sido feito em seis dias por um ser onipotente e onisciente, porque isso vai de encontro a todo conhecimento científico, e nada tenho de indício da existência desse criador.

Não creio o sol e a lua venha brevemente se escurecerem e as estrelas venha a cair sobre a terra, porque nada indica que o Sol possa perder sua energia abruptamente e as estrelas são milhares e até milhões de vezes maiores do que a Terra, sendo fisicamente impossível a queda daquelas sobre esta. E, conseqüentemente, como isso não pode acontecer, não poderá aquele que prenunciou isso aparecer agora nas nuvens acompanhado de outros seres chamados anjos para levar os que crêem nele para um outro lugar.

Não creio que após a morte eu possa ter alguma consciência, visto que um simples dano no cérebro tira a consciência do ser humano, sendo totalmente fora de lógica essa consciência que se abala por problema no cérebro voltar a existir normalmente quando esse cérebro é destruído.

Acho que o que temos de diferente dos religiosos é apenas uma forma mais racional de aceitar ou rejeitar as coisas, exigindo apenas um pouco de indício ou de lógica para adotarmos um pensamento.
Ah! Eu acredito em Deus, porém, sou agnóstico em relação a isso, acredito apenas através da fé.
Continua em sua imaginação…
ateu

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Pensando em Voltaire

Publicado por teiversonalves em Maio 18, 2007

François Marie Arouct, que adaptou o nome de Voltaire, nasceu em Paris a 21 de Novembro de 1694. Foi educado num colégio de jesuítas e ingressou bastante jovem na vida da aristocracia cortesã francesa. Mas uma disputa com um nobre, o cavaleiro de Rohan, fez ele ir parar à Bastilha. Nos anos de 1727-29 viveu em Londres e assimilou a cultura inglesa da época. Nas Cartas sobre os ingleses, ou Cartas filosóficas, registra os vários aspectos daquela cultura insistindo especialmente sobre os temas mais característicos da sua atividade filosófica, histórica, literária e política. Defende assim a religiosidade puramente interior e alheia a ritos e cerimónias dos Quacres põe em relevo a liberdade política e económica do povo inglês; analisa a literatura inglesa e traduz poeticamente alguns trechos da mesma. Comparando Descartes a Newton, exalta os méritos de matemático de Descartes, mas reconhece a superioridade da doutrina de Newton. Descartes “fez uma filosofia como se faz uni bom romance: tudo parece verosímil e nada é verdadeiro”.

O Mundo: O homem e Deus

Diz-se habitualmente que Voltaire, no decurso de toda a sua vida, passou do optimismo ao pessimismo e que, sob este aspecto, os seus últimos escritos marcam uma orientação diferente da dos primeiros. Na realidade, não é possível distinguir oscilações dignas de relevo na atitude de Voltaire sobre este ponto. Ele sempre esteve convencido de que o mal do mundo é uma realidade tão inegável como o bem; que é uma realidade impossível de explicar à luz da razão humana e que Ba@4e tinha razão ao afirmar a insolubilidade do problema e criticar implacavelmente todas as possíveis soluções do mesmo. Mas, por outro lado, esteve também sempre convencido de que o homem deve reconhecer a sua condição no mundo tal qual ela é, não já para se lamentar e para negar o próprio mundo, mas para alcançar uma serena aceitação da realidade. Nas Anotações sobre os Pensamentos de Pascal que é um escrito juvenil, não pretende refutar o diagnóstico de Pascal sobre a condição humana, mas apenas extrair dela um ensinamento muito diferente. Pascal, com efeito, inferia desta situação a negação do mundo e a exigência de se refugiar no transcendente. Voltaire reconhece que tal condição é a única condição possível para o homem e que, portanto, o homem deve aceitá-la e dela tirar todo o partido possível. “Se o homem fosse perfeito, diz ele, seria Deus;” e as pretensas contrariedades a que vós chamais contradições são os ingredientes necessários de que se compõe o homem, o qual é, como o resto da natureza, aquilo que deve ser. É inútil desesperar por não ter quatro pés e duas asas. E as paixões que Pascal condenava, em primeiro lugar o amor próprio, não são no homem simples aberrações porque o movem a agir, visto que o homem é feito para a acção. Quanto à tendência do homem para se divertir, Voltaire observa: “A nossa condição é Precisamente Pensar.”
Pascal e Voltaire reconhecem ambos que O homem, pela sua condição, está ligado ao mundo; mas Pascal quer que ele se liberte e afaste do mundo, ao passo que Voltaire Pensa que ele o deve reconhecer e amar. A diferença está toda nisto; o pessimismo ou o Optimismo Pouco têm a ver com a questão.

Voltaire toma os traços fundamentais da sua concepção do mundo dos empiristas e dos deistas ingleses- Decerto que Deus existe como autor do mundo; e, conquanto se encontrem nesta opinião muitas dificuldades, as dificuldades com, que depara a opinião contrária são ainda maiores. Voltaire repete a este propósito a argumentação de Clarke e dos deístas (que reproduz o velho argumento cosMológico): “Existe alguma coisa, Portanto existe alguma coisa de eterno já que nada se produz a partir do nada.” Toda a obra que nos mostre meios e um fim revela um artifício: portanto, este universo composto de meios, cada um dos quais tem o seu fim, revela uni artífice potentíssimo e inteligentíssimo” (Dic. Filósofico; Tra@té de Mét., 2).
Voltaire repudia, portanto, a opinião de que a matéria se tenha criado e organizado por si mesma. Mas, por outro lado, recusa-se a determinar os atributos de Deus, considerando ambíguo também o conceito de perfeição, que não pode decerto ser o mesmo para o homem e para Deus. E não quer admitir qualquer intervenção de Deus no homem e no mundo humano. Deus é apenas o autor da ordem do mundo físico. O bem e o mal não são ordens divinas, mas atributos do que é útil ou nocivo à sociedade. A aceitação do critério utilitarista da verdade moral permite a Voltaire afirmar terminantemente que ela não interessa de modo algum à divindade. “Deus pôs os homens e os animais sobre a terra, e eles devem pensar em conduzir-se o melhor possível”. Tanto pior para os carneiros que se deixam devorar pelo lobo. “Mas se um carneiro fosse dizer a um lobo: tu desprezas o bem moral e Deus castigar-te-á, o lobo responder-lhe ia: eu procedo de acordo com o meu bem físico e, pelo visto, Deus pouco se importa que eu te coma ou não.”
É do interesse dos homens conduzirem-se de modo a tornar possível a vida em sociedade; mas isto requer o sacrifício das paixões próprias, que são indispensáveis, como o sangue que lhes corre nas veias; e não se pode tirar o sangue a um homem, porque pode ser acometido de uma apoplexia.

No que toca ao conhecimento, Voltaire considera, tal como Locke, que o seu ponto de partida são as sensações e que de se desenvolve mantendo-as e dando-lhes forma. Voltaire repete os argumentos que Locke empregou sobre a existência dos objectos exteriores; e acrescenta um, por sua conta: o homem é essencialmente sociável e não poderia ser sociável se não houvesse uma sociedade e, por consequência, outros homens fora de nós. As actividades espirituais que se encontram no homem não permitem afirmar a existência de uma substância imaterial chamada alma. Ninguém pode dizer, de facto, o que é a alma; e a disparidade das opiniões a este propósito é muito significativa. Sabemos que é algo de comum ao animal chamado homem e àquilo que se chama animal. Este algo poderá ser a própria matéria? Diz-se que é impossível que a matéria pense. Mas Voltaire não admite tal impossibilidade. “Se o pensamento fosse um composto da matéria, eu reconheceria que o pensamento deveria ser extenso e divisível. Mas, se o pensamento é um atributo de Deus dado à matéria, não vejo que seja necessário que tal atributo seja extenso e divisível. Vejo, de facto, que Deus comunicou à matéria outras propriedades que não têm nem extensão nem divisibilidade: o movimento, a gravitação, por exemplo, que atua sem corpo intermediário na razão direta da massa o não da superfície, e na inversa do quadrado das distâncias, é uma qualidade real demonstrada, cuja causa é tão oculta como a do pensamento.”Além disso, é absurdo sustentar que o homem pense sempre; sendo assim, é absurdo admitir no homem uma substância cuja essência seja pensar. Será mais verosímil admitir que Deus organizou os corpos tanto para pensar como para comer e para digerir. Posta em dúvida a realidade de uma substância pensante, a imortalidade da alma converte-se em pura matéria de fé. A sensibilidade e o intelecto do homem nada têm de imortal; como se poderia, pois, chegar a demonstrar a eternidade? Não existem certamente demonstrações válidas contra a espiritualidade e a imortalidade da alma; tais demonstrações são destituídas de toda a verosimilhança e é injusto e despropositado pretender efetuar uma demonstração onde somente são possíveis conjecturas. Além disso, a mortalidade da alma não é contrária ao bem da sociedade, como o provaram os antigos hebreus que consideravam a alma material e mortal.
O homem é livre, mas dentro de limites bastante restritos. “A nossa liberdade é débil e limitada, como todas as nossas faculdades. Nós fortificamo-la habituando-nos a refletir e este exercício torna-a um pouco mais vigorosa. Mas, apesar de todos os esforços que façamos, nunca poderemos conseguir que a nossa razão impere como senhora de todos os nossos desejos; existirão sempre na nossa alma, como no nosso corpo, impulsos involuntários. Se fôssemos sempre livres, seríamos o que o próprio Deus é.” Na sua última obra filosófica, Le philosophe ignorant, Voltaire insiste na limitação da liberdade humana, que não consiste nunca na ausência de qualquer motivo ou determinação. “Seria estranho que toda a natureza, todos os astros obedecessem a leis eternas.”Que no animal com a altura de cinco pés que, a despeito destas leis, pudesse agir sempre como lhe aprouvesse, segundo o seu capricho. Agiria ao acaso, e sabe-se
que o acaso não é nada; nós inventámos esta palavra para exprimir o efeito conhecido de toda a causa desconhecida. Continua em sua imaginação….

Algumas frases do celébre Voltaire:
“Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo.”
“Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas.”
“Como é horrível odiarmos quem desejávamos amar.”
“Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas.”
“A primeira lei da natureza é a tolerância – já que temos todos uma porção de erros e fraquezas.”

Voltaire

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Vivemos no mundo das opiniões e não da verdade

Publicado por teiversonalves em Maio 8, 2007

As mentes mais brilhantes da Grécia antiga já haviam discutido profundamente a questão do discurso e sua correspondência com a realidade, ou para ser mais radical com a verdade. Para Protágoras “O Homem é a medida de todas as coisas”. “Do ser das coisas que são e do não-ser das coisas que não são”. Esta Tese deu margem para os retóricos influenciarem a política e jurisprudência nas ágoras gregas. Platão em suas narrativas socráticas se contrapôs a essa corrente com sua tese na qual defendia através da dialética (diálogo ético no qual a verdade surge pelo contraposição de idéias divergentes), que a verdade está no mundo das idéias e que só a mente desprovida de arrogãncia e com a finalidade de atingir a verdade e o bem alcança a essência verdadeira das coisas do mundo. (este resumo que fiz sobre o platonismo é reducinista e precário, mas enfim). Aristóles, “pai” da lógica clássica, conseguiu conciliar a retórica com o platonismo. Ele concebeu a idéia que o homem mede as coisas pelo seu discurso, porém há nas coisas qualidades que corresponde com este discurso na medida em que o conteúdo deste discurso são verdadeiras. O discurso formal pode ser verdadeiro ou falso na media em que o conteúdo deste discurso corresponde com a verdade dos fatos ou não. mas há discursos formais cujo a lógica formal é verdadeira porém os mesmos não correspondem com a realidade externas a eles.. Estes são os mais desvirtuados e perigosos… O homem mede e mesura tudo para entender e controlar. Na minha opinião, nomeamos tudo e estamos tacitamente em acordo com o que nomeamos, uma convenção. Entretanto a essência do ser, por se alterar e por não podermos apreendê-la, será sempre um mistério. Por isso a ciência não pára de pesquisar, e em cada resposta encontrada surge uma nova pergunta. Minha opinião está muito próxima da corrente dos Céticos gregos que afirmaram que “O ser não é, e mesmo que o ser fosse, ele não poderia ser conhecido. E mesmo que o ser pudesse ser conhecido este conhecimento não poderia ser comunicado”
coliseu

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Da capacidade de se envergonhar:

Publicado por teiversonalves em Maio 6, 2007

Carta feita por Dimitri Mattos, direcionada a Ibisen, o ante herói. ^^
http://anteheroi.wordpress.com

Vergonha na cara aos COVARDES como EU!

Prezado Ibisen, diante de uma criteriosa reflexão, pouca coisa permanece de pé, diante da auto-crítica, da introspecção, os egos que tendem ao racional – pelo menos os de alguns bem-aventurados – ponderam a sua participação nos acontecimentos que os envolvem e as suas responsabilidades sobre os mesmos. Ao apurar como dolosa (culposa) a sua participação nos referidos acontecimentos, envergonham-se e tentam fazer de cada erro próprio ou alheio uma oportunidade para um novo aprendizado. Em tempo, considerando-se que se a cada erro ele obtiver um novo aprendizado, ele obterá no somatório dos inumeráveis erros comuns às vidas humanas, significativo crescimento. Sim, esse é o grande mérito do racionalista, saber transformar cada cinca, cada gafe, lapso, tropeço, deslize, impropério, impertinência no desejo obcecado pelo acerto. Aqui, muitos desavisados confundir-nos-iam com apologia da estupidez, da ignorância. Mas o grande legado da evolução é ratar bem menos, em menor número, como um destro*, exímio enxadrista no auge e exuberância de sua forma.

*(Nada contra os canhótos, sim, lê-se canhótos, plural metafônico, pois vogal tônica, infelizmente o adjetivo destro de per si é de natureza discriminatória)

Este é um momento ímpar, é um momento para repudiarmos a nossa catalepsia, letargia, o nosso conformismo, nefelibatismo, alienação, a nossa demência, a nossa falta de VERGONHA diante da manutenção sistemática de nossos ERROS. É a oportunidade de mostrarmos, de provarmos minimamente – permitais o pleonasmo – um MÍNIMO de inteligência. Sair da retórica mesquinha (ou seria mesquinha retórica?), da pequenez de atribuir os nossos possíveis dolos sempre a terceiros, fenômenos da natureza, governos, gestões, administrações, entidades, pais de santo, ou quiçá um outro sorrateiro artífice. Um estudante oriental, depois da árdua escalada de 15 anos de estudo e empenho, ao sucumbir diante de um processo pseudo-seletivo, seja lá qual for à ordem causal, projeta seu ser – aviltado pelas circunstâncias descritas – do primeiro viaduto. – E nós?

Nós toleramos a nossa mediocridade, pior, colocamo-nos a conviver desprezivelmente com ela. Negligenciamos os nossos destinos. Ignoramos nossa insuportável existência, tornado-a a tão vegetativa quanto insignificante for possível. Essa última consideração me faz lembrar da quimera do poeta: Charles C. Chaplin, vugo Carlitos:

“Soldados, não vos entregueis a esses brutais, que vos escravizam, que vos arregimentam, que vos transformam um bucha para canhão, que vos transformam em gado humano, que vos fazem marchar a passo de ganso para seus morticínios…”

Conhecemos o caráter selvagem, cruel, inóspito, arredio, insalubre – nem chamo o caráter de desumano porque humano nunca foi lá sinônimo de boa coisa – o alto preço, custo, que tem a conquista da sobrevivência nos dias atuais, talvez por um sistema imposto ou consensual, não julguemos o mérito de uma questão tão complexa irresponsavelmente agora, não é o momento, é sim, um momento de nos fortalecer, não ignorando que nesse sistema arregimentador despótico, é acirradamente competitivo e sendo assim necessitamos eliminar os mais fracos, como a grande palavra de ordem de qualquer cadeia alimentar e da mais notória e perfeita coadunância, convergência ideológico-cognitiva com a evolução Darwiniana: Os mais fortes, aptos sobrevivem! Notam-se aqui duas leis Dimitrinianas: decorrentes e recorrentes: a primeira lei Dimitriniana é oriunda da primeira assertiva (premissa): “Tanto mais os homens “evoluem”, mais precárias se tornam as suas relações”, e a outra contempla Darwin conforme a segunda assertiva(premissa): “As relações humanas mais aceitas e praticadas, são as originalmente, essencialmente do mundo animal”. Em outras palavras, o homem incentiva, fomenta a sua autodestruição, portanto: destrua, coma, esmague, apague, pulverize, delete, shift + delete, ilegitime, aniquile seu vizinho, o seu próximo – segundo Ibisen, pensador contemporâneo, coma-o, antropofógueo*, como Hannibal**, compre o cadáver alheio – SIM, hesitou? Claudicou? Vascilou? Que é isso, ele está tirando a SAÚDE, A ALIMENTAÇÃO glutônica, O TRANSPORTE - o carrão, a motassa, o jatinho o avião – O LAZER, TODOS OS ELEMENTOS MATERIAIS “INDISPENSÁVEIS” DE VC e inflamando seu EGOÍSMO… Esse é o sistema que a NATUREZA HUMANA escolheu! Carpem diem!

Antropofógueo* = Neologismo, criação de palavra, vem de antropofagia, antro=homem, primata; fagos=comer.

Hannibal** = Personagem principal, protagonista de Silent Lamb (o Silêncio dos Inocentes), vivido por Anthony Hopckins e muito citado por Ibisen.

-Ibisen! Aqui está o egoísmo ABSOLUTO! O egoísmo pelo egoísmo, a destruição do homem pelo homem, que a ignorância é servil e vem prestigiar… Para que evoluir? Para que ter uma relação RACIONAL? Pelo sentimento mais mesquinho que existe: EGOÍSMO. Ibisen eu quero ser melhor que você! Eu sou melhor que você, eu mereço mais que você, sou mais bonito que você, meu membro escroto-reprodutor-prouver-sexual é maior que o seu, sinto muito! Aqui está!!! Por-nos-emos a destruir uns aos outros!

Ao deparar-se com o fantasma da derrota, muitas das vezes, depois de nos entregar as quaisquer adversidades, deixarmo-nos vencer pelos mais transponíveis obstáculos, sobrepujarmo-nos pelos mais incompetentes adversários é comum às pessoas imputarem a culpabilidade dos seus fracassos, infortúnios a qualquer outra coisa que não elas mesmas, uma atitude que revela de per si, por si mesma, covardia, fragilidade e vulnerabilidade.

“A coragem contém em si o poder, o gênio e a magia”. (Goethe-pensador alemão). Mais do que de culpados, bodes-espiatórios, precisamos encontrar em nós mesmos a origem dos nossos fracassos, dos nossos medos, das nossas fraquezas, mais do que de COVARDIA e DISSIMULAÇÃO, da auto-mentira, necessitamos MUDAR, transformar a nossa REALIDADE, acreditarmos que podemos, a coragem contém em si o poder, o gênio e a magia – muitos mal informados aqui atribuir-nos-iam a alcunha de místicos! – o que UM homem pode fazer, o OUTRO também pode, e mais do que de discursos inebriados de utopia, surrealismo, necessitamos de prática, de ação planejada, enfrentar as intempéries com a fúria dos gladiadores mais implacáveis; devemos superar o medo, a indiferença, a ociosidade e o tédio; precisamos materializar nossos sonhos, nossas idéias, transformar nossas conjecturas em verdades, nossas divagações em realidades, nossos planos em METAS.

Não obstante, em consonância com o exposto, para que consigamos vislumbrar algo que relutamos admitir, algo que fira intimamente e definitivamente o próprio ORGULHO (EGOÍSMO), algo que vilipendia inexpugnavelmente a própria carne, é preciso obter as credenciais, beber no poço infinito do saber, beber na fonte em que esses imarcescíveis, inexpugnáveis, intangíveis, etéreos, sublimes, enlevados homens beberam e fomentam como inesgotáveis mananciais! :

Pitágoras, Tales de Mileto; Hipócrates; Sócrates; Aristóteles; Platão; Copérnico; Galileu; Lamark; Darwin; Leibniz; George Ohm; Dalton; Mendeleyjev; Bohr; Rutheford; Goethe, Holbach, Newton; Kant; Shopenhauer; Descartes; Nietsche; John Locke; Sartre; François Marie Arouet (Voltaire); Evangelista Torricelli, Bertrand Russel, Rousseau, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov, Nicolai Vassiliévitch Gogol…

Entre outros tão injustamente omitidos e negligenciados… Eis que surge uma questão? VC bebeu algum dos mesmos hoje? BEBA, se não, não terá credenciais para sobrepujar seus obstáculos, nem mesmo poderá compreendê-los… Se não amaldiçoada será sua hora, anatematizado será o seu dia, excomungado será o seu mês, esconjurado será o seu ano, mal afortunada será a sua vida, por toda a sua existência…

Muitos agnósticos-fideístas nesse momento chamá-los-iam de DEUS, inclusive EU, acreditando que DEUS é conhecimento, razão, entendimento, consciência, justiça, erudição, harmonia, equilíbrio, ciência, universo, elemento, matéria… Deus é a negação da ignorância – não se coaduna com a mediocridade, com os massacres e tampouco com os seus sectários – êstes ilegitimam, PROFANAM as suas religiões, dogmas em seus princípios mais fundamentais – já DEUS é como a LUZ, a luz do saber, que aclara tua’mente, como os caracteres superiores.

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Vida Louca! Mais eu vivo mesmo!

Publicado por teiversonalves em Maio 2, 2007

Já perdoei erros quase imperdoáveis. Tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei para proteger, já dei risada quando não podia, já fiz amigos eternos, já amei e fui amado, mas também fui rejeitado. Já fui amado e não soube amar. Já gritei e pulei de tanta felicidade. Já vivi de amor e fiz juras eternas mas “quebrei a cara” por enquanto só uma vez, mas sei que vou quebrar muitas vezes ainda. Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já sofri um bocado por não compreender as atitudes de quem eu amava, já me apaixonei por um olhar, uma voz, por um sorriso.
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade e… tive medo de perder alguém especial… (e acabei perdendo) !!
MAS, SOBREVIVI !!! ESTOU AQUI! AINDA VIVO!!

Não passo pela vida mais eu VIVO!!!

Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve, e a VIDA É MUITO para ser insignificante. “
(Chaplin )

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Deus existe! E ele é a sua força para viver!

Publicado por teiversonalves em Maio 2, 2007

Enquanto Descartes se preocupa com o conhecimento e tem o homem apenas como criatura de Deus – o homem não faz parte de Deus -, Spinosa se preocupará, não só com o conhecimento, mas também com a salvação e tornará o homem parte da natureza. O homem agora é um finito que faz parte de um infinito, que é a soma do corpo e espírito. O corpo é uma pequena parte de uma extensão do infinito. O espírito uma parte do pensamento infinito. Nesse sentido, o homem deixa de ser totalmente livre e independente, pois agora ele está ligado a uma substância infinita. No lugar de liberdade entra a necessidade.

Tudo agora é necessário no mundo onde Deus necessariamente se manifesta. Tudo o que acontece é necessário. O homem, então, não deve agir por conta própria, mas em conformidade com as leis da sua própria natureza. Ele agora perde o poder de julgar, isto é, de afirmar ou negar as idéias, pois a verdadeira idéia afirma-se por si própria. Agora, como parte do pensamento infinito, como seres frágeis, mas potencialmente forte, o homem deve sempre fortalecer o seu poder e o crescimento do poder traz a alegria. Aumentando a sua potencialidade, o homem deixa de ser ignorante, deixa de se enganar pelos sentidos e pelas paixões. Deixa de ver o sol como um pequena bola de fogo que gira em torno da terra.

O homem, então, deve adquirir conhecimento para obter a salvação. O conhecimento nos liberta da ignorância, aumenta nosso poder e realiza a nossa felicidade, e esta depende do conhecimento intuitivo, que é conhecer as coisas em Deus. Aquele que detém o conhecimento intuitivo é aquele tem a necessidade amar a Deus, causa da sua felicidade e poder. Amando Deus, o homem é também amado por Ele. Mas esse amor não é o mesmo amor entre os homens, diferentes personalidades , já que o amor entre Deus e os homens é amor de Deus para consigo mesmo, pois os homens são idênticos a Ele, já que tudo faz parte Dele. É sguindo os ditames da natureza, já que somos parte dela, é aumentamos a nossa potencialidade que nos tornamos poderosos, isto é, esclarecidos. Aquele que bem concatenar as idéias conhecerá Deus, e Ele, então, o levará à salvação, que é o esclarecimento e a sabedoria para explicar as partes defeituosas deste mundo, apreendidas pelos sentidos.

Não se abalará nem mesmo com as piores tormentas, pois saberá que é inevitável o encadeamento de causas e dos efeitos dessas tormentas. Homem esclarecido é homem centrado, pois como possui entendimento, ele sai dos limites da sua individualidade para coincidir com o ponto de vista de Deus. E no conhecimento de Deus, o homem encontra a verdadeira liberdade, o verdadeiro poder e a verdadeira felicidade. Spinosa nos ensina que se conhecermos as causas da tristeza, ela deixará de ser uma paixão, isto é , ela deixa de ser tristeza. Daí, basta compreendermos que Deus é causa da tristeza; e se ela é causada por Ele, e disso sabemos, experimentamos alegria. Toda a realidade provem de Deus, portanto tudo participa Dele. Se o homem conhece apenas as coisas daqui e julga que as coisas finitas são absolutas, ele está sendo enganado pelos sentidos. Ele é escravo do erro do conhecimento sensível.

O homem é dotado de razão e deve fazer um bom uso dela, pois é o conhecimento racional que o libertará das paixões, pois somos, no princípio, escravos dela, da ignorância. Devemos nos libertar das paixões; e somos naturalmente dotados de poder para isso. Potencialmente, então, somos capazes de conseguir a salvação, que se dá pelo conhecimento. O homem é mortal, mas é capaz de participar da vida eterna. Aquele, que é livre da escravidão das paixões e da ignorância, pois seu conhecimento é racional, é capaz de tocar a felicidade, já que esta depende da ciência maior, que é conhecer Deus.

Uma vez que o homem conhece Deus, ele atinge uma necessidade superior que é amar Deus, pois é Ele a causa do poder e da felicidade. E aquele que conhece Deus e O ama, é também amado por Ele e como é parte Dele, já vive na vida eterna, pois seu conhecimento do eterno é eterno.
deus

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Distinção Entre o Conhecimento Puro e o Empírico

Publicado por teiversonalves em Abril 27, 2007

Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, porque, com efeito, como haveria de exercitar-se a faculdade de se conhecer, se não fosse pelos objetos que, excitando os nossos sentidos, de uma parte, produzem por si mesmos representações, e de outra parte, impulsionam a nossa inteligência a compará-los entre si, a reuni-los ou separá-los, e deste modo à elaboração da matéria informe das impressões sensíveis para esse conhecimento das coisas que se denomina experiência?
No tempo, pois, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.
Mas se é verdade que os conhecimentos derivam da experiência, alguns há, no entanto, que não têm essa origem exclusiva, pois poderemos admitir que o nosso conhecimento empírico seja um composto daquilo que recebemos das impressões e daquilo que a nossa faculdade cognoscitiva lhe adiciona (estimulada somente pelas impressões dos sentidos); aditamento que propriamente não distinguimos senão mediante uma longa prática que nos habilite a separar esses dois elementos.
Surge desse modo uma questão que não se pode resolver à primeira vista: será possível um conhecimento independente da experiência e das impressões dos sentidos?
Tais conhecimentos são denominados “a priori”, e distintos dos empíricos, cuja origem e a “posteriori”, isto é, da experiência.
Aquela expressão, no entanto, não abrange todo o significado da questão proposta, porquanto há conhecimentos que derivam indiretamente da experiência, isto é, de uma regra geral obtida pela experiência, e que no entanto não podem ser tachados de conhecimentos “a priori”.
Assim, se alguém escava os alicerces de uma casa, “a priori” poderá esperar que ela desabe, sem precisar observar a experiência da sua queda, pois, praticamente, já sabe que todo corpo abandonado no ar sem sustentação cai ao impulso da gravidade. Assim esse conhecimento é nitidamente empírico.
Consideraremos, portanto, conhecimento “a priori”, todo aquele que seja adquirido independentemente de qualquer experiência. A ele se opõem os opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só o são “a posteriori”, quer dizer, por meio da experiência.
Entenderemos, pois, daqui por diante, por conhecimento “a priori”, todos aqueles que são absolutamente independentes da experiência; eles são opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só são possíveis mediante a experiência.
Os conhecimentos “a priori” ainda podem dividir-se em puros e impuros. Denomina-se conhecimento “a priori” puro ao que carece completamente de qualquer empirismo.
Assim, p. ex., “toda mudança tem uma causa”, é um princípio “a priori”, mas impuro, porque o conceito de mudança só pode formar-se extraído da experiência.

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Nietzsche e a História

Publicado por teiversonalves em Abril 27, 2007

Nietzsche rompeu com a relação entre a Filosofia e a História que havia sido estabelecida por Hegel, entendida esta última como uma crônica da racionalidade. Considerava que “o excesso de história” parecia “hostil e perigoso à vida”, limitador da ação humana, inibindo-a. Devia-se ousar, avançar perigosamente para o ilimitado, porque a racionalização histórica levava o homem a “perder-se ou destruir seu instinto fazendo com que ele não ouse soltar o freio do ‘animal divino’ quando a sua inteligência vacila e o seu caminho passa por desertos. O indivíduo torna-se então timorato e hesitante e perde a confiança em si…” terminando por fazer com que “a extirpação dos instintos pela história transforma os homens em outras tantas sombras e abstrações.”

Em busca do super-homem

A idéia da necessidade da formação de uma nova elite – não contaminada pelo cristianismo e pelo liberalismo – e que ao mesmo tempo os transcendesse, acometeu Nietzsche desde muito cedo. Pode-se dizer que já pensava assim nos seus tempo do internato em Pforta. Já naquele tempo mostrou-se obcecado pela formação de uma seleta falange intelectual responsável pela transmutação de todos os valores, cuja obrigação e dever maior era a proteção de uma cultura superior ameaçada pela vulgaridade democrática.
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Instinto contra a Razão

Nietzsche recolocou claramente o confronto outrora posto pelos românticos quando opunham os instintos – geralmente entendidos como uma manifestação da pureza e autenticidade humana – à razão, símbolo do utilitarismo cinzento e materialista.

Opunha-se, como conseqüência, à idéia de que os acontecimentos históricos ensinavam os homens a não repeti-los, defendendo a teoria do eterno retorno, de remota inspiração na filosofia pitagórica e na física estóica, que compreendia a aceitação de periódicas destruições do mundo pelo fogo e seu ressurgimento. Desta forma, não só tudo poderia acontecer novamente como tudo poderia ser tentado outra vez.

Nietzsche como Anticristo

O ataque direto que Nietzsche desencadeou contra o cristianismo radicalizou-se com o seu “O Anticristo” mas foi inicialmente exposto na A genealogia da moral. Argumentou que a ética cristã era uma moral de escravos, de gente fraca e vil que havia, através do cristianismo, desvirilizado o espírito senhorial e dominante dos aristocratas. A origem desse processo, segundo Nietzsche, remontava à aos tempos da Palestina ocupada pela raça romana, raça de senhores. Os judeus, impotentes em poder livra-se deles, terminaram por aperfeiçoar a psicologia do ressentimento provocando uma inversão dos valores. Tudo aquilo que era “débil”, “humilde”, “medíocre”, eles apresentaram como “bom”, enquanto palavras tais como “nobreza’, “honra”, “valor”, foram vistas como “mal”. O resultado desse trabalho de sapador, feito por séculos de pregação cristã, foi o enfraquecimento das energias vivificantes da sociedade ocidental, especialmente das suas elites, na medida em que o “doentio moralismo ensinou o homem a envergonhar-se de todos os seus instintos”.

Nietzsche disse que nós vivemos a mesma vida eternamente, que tudo que nós estamos fazendo nós já fizemos milhões de vezes e iremos fazer pela eternidade. Para sempre iremos conhecer as mesmas pessoas, fazer os mesmos erros e etc… Isso é por que, segundo ele, o tempo é infinito mas a matéria é finita. E eu ainda considero isso uma forma de prolongar a vida.
nietzsche

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Conceito e Natureza da Filosofia

Publicado por teiversonalves em Abril 23, 2007

A Filosofia não só tem história, mas consiste nesta própria história. Se pretendêssemos defini-la, verificaríamos que a definição jamais poderia compreender ou abranger todo o definido, que por ser um processo que transcorre no tempo, mostra-se refratário a qualquer tentativa de imobilização no seu conceito. O filósofo pensa, situa-se no interior da própria história quando conclui a construção do sistema ou elaboração de sua doutrina.

As diversas doutrinas filosóficas constituem momentos sucessivos e abrangentes de um processo único: com todas as conquistas filosóficas o homem não pára de abordar temas e problemas que sempre preocuparam o espírito humano. As diversas filosofias nas diferentes épocas apresentam características comuns do pensamento humano. É uma seqüência inexorável de um processo que implica os momentos anteriores e torna possível pensar os momentos subseqüentes.

Antes de falarmos da Filosofia propriamente dita, cabe meditar um pouco no sentido popular da filosofia como um princípio orientador dos indivíduos que lhes permite unidade nas ações e na conduta. A priori, a Filosofia se debruça sobre a necessidade humana de compreender melhor a vida, meditar a própria vida para melhor poder viver.

Por sua natureza intrínseca, induzido e conduzido por razões imanentes, como a dúvida, a incerteza e o desespero o homem não consegue eximir-se de atitudes filosóficas, ou seja, interroga-se sobre si mesmo e sobre o sentido de sua existência, sua razão de ser.

Em crise existencial ou na euforia da vida, alguém que começa a indagar sobre o porquê da própria vida, está começando a filosofar, isto é, tendo uma atitude filosófica. A atitude filosófica nos mergulha num mundo espetacular, terrível e fantástico ao mesmo tempo: a busca da sabedoria e da verdade.

Uma iniciação à Filosofia visa despertar uma atitude crítica e de avaliação, para chegar a uma consciência mais clara e respeitável quando tiver que optar entre uma infinidade de possibilidades. Quem inicia-se na Filosofia já não pode encarar os problemas do homem e seu mundo com uma atitude simplista de aceitação ou negação. Ele assume a responsabilidade de descobrir as intenções que levam ao questionamento e mudar a realidade pelo fato de interpretá-lo.

A atitude filosófica empenha-se em conhecer o mundo para transformá-lo a fim de restaurar a harmonia e a unidade no pensamento e na própria realidade da existência humana. Ter uma atitude filosófica quer dizer que estamos utilizando o raciocínio fundamentado e lógico, tendo uma visão crítica e adulta da realidade e convicções sustentadas.

Em todos os tempos a Filosofia tenta interpretar o mundo e entender e transformar o homem, isto é, todo tema importante é assunto de preocupação filosófica à procura da verdade.

Conceituação

A Filosofia é um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. Ela é, antes de mais nada, uma prática de vida que procura pensar os acontecimentos além de sua pura aparência. Pode pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos; pode pensar a religião; pode pensar a arte; pode pensar o próprio homem em sua vida cotidiana.

A Filosofia tem, de início, um caráter negativo, na medida em que começa colocando em questão tudo o que sabemos (ou que pensávamos saber). Por outro lado, tem também um caráter positivo que se revela na possibilidade de transformar os valores e as idéias predominantes que, a partir do momento em que são questionados, podem ser modificados. O lado positivo da postura crítica da Filosofia consiste na possibilidade de construir novos valores e idéias. Mas não resta dúvida de que essas novas formas de pensar, num segundo momento, serão também colocadas em dúvida e questionadas.

Compreendida como pensamento crítico, a Filosofia é uma atividade constante, um caminho a ser percorrido, constituído, sobretudo por perguntas que são mais essenciais do que as suas possíveis respostas. Por sua própria natureza, a filosofia transforma cada resposta em uma nova pergunta, na medida em que o seu papel é questionar e investigar tudo o que é pressuposto ou simplesmente dado. Por isso, costuma-se dizer que as perguntas, para o filósofo, são mais importantes do que as respostas. Essas características são:

1. perguntar ‘o que’ a coisa, ou o valor, ou a idéia, é. A filosofia pergunta qual é a realidade ou a natureza e qual é a significação de alguma coisa, não importando qual;

2. perguntar ‘como’ a coisa, a idéia ou o valor, é. A Filosofia indaga qual é a estrutura e quais são as relações que constituem uma coisa, uma idéia ou um valor;

3. Perguntar ‘por que’ a coisa, a idéia ou o valor, existe e é como é. A Filosofia pergunta pela origem ou pela causa de uma coisa, de uma idéia, de um valor.

As perguntas da Filosofia se dirigem ao próprio pensamento. Ela torna-se, então, o pensamento interrogando-se a si mesmo. Com essa volta do pensamento sobre si mesmo, a Filosofia realiza-se como reflexão.

Para Marilena Chauí a reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo para conhecer-se, para indagar como é possível o próprio pensamento.

A Filosofia é mais do que um refletir. Ela é refletir sobre o refletir. A Filosofia surge quando a própria capacidade de refletir é posta em questão, quer dizer, refletimos sobre o refletir, quando queremos saber como adquirimos conhecimentos, ou se sabemos realmente aquilo que supomos saber. Por isso que, para Sócrates, o ponto de partida do filosofar é o reconhecimento da própria ignorância. A afirmação “só sei que nada sei” só pode ser feita por alguém que já exerceu uma autocrítica, que já se debruçou sobre as bases de seus conhecimentos e os avaliou de modo adequado.

A reflexão filosófica questiona:

1. os motivos, as razões e as causas de pensarmos o que pensamos, dizermos o que dizemos e fazermos o que fazemos;

2. o conteúdo ou o sentido do que pensamos, do que dizemos ou fazemos;

3. a intenção e a finalidade do que pensamos, dizemos ou fazemos.

Marilena Chauí: “A Filosofia não é um “eu acho que” ou um “eu gosto de”. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. Não é pesquisa de mercado para conhecer preferências dos consumidores e montar uma propaganda”.

A Filosofia trabalha com enunciados preciosos e rigorosos, busca encadeamentos lógicos entre os enunciados, opera com conceitos ou idéias obtidas por procedimentos de demonstração e prova, exige fundamentação racional do que é enunciado e pensado.

Ao contrário do saber científico, a Filosofia dirige um olhar crítico a qualquer hipótese ou princípio (inclusive sobre si mesma). Não aceita nenhuma afirmação ‘porque sim’, mas porque revisa e discute, em cada caso, as razões que pretendem justificá-las. Em filosofia, qualquer afirmação é suscetível de reflexão e revisão. Em cada caso será preciso explicitar e debater hipóteses, conseqüências, implicações. É assim que se manifesta seu caráter essencialmente crítico

O filósofo não tem respostas prontas, elaboradas para os questionamentos. Ao contrário, quem filosofa questiona, duvida, indaga, suspeita, abre novos caminhos, interroga, levanta suspeita para provocar reflexões, à procura de uma melhor forma de viver e em busca da vida feliz.

O olhar crítico da Filosofia torna visível o que está oculto nos modos de agir e pensar em meio aos quais estamos desde sempre inseridos e, por conseguinte, possibilita que eles sejam questionados, avaliados e transformados. Nossos modos de pensar e agir só podem ser modificados se forem antes questionados, se tiverem sua legitimidade e seus limites de validade postos em questão, isto é, se forem criticados.

A Filosofia ocupa-se cada vez mais com as condições e os princípios do conhecimento que pretenda ser racional e verdadeiro; com a origem, a forma e o conteúdo dos valores éticos, políticos, artísticos e culturais; com a compreensão das causas e das formas da ilusão e do preconceito no plano individual e coletivo; com a transformação histórica dos conceitos, das idéias e dos valores; volta-se, também, para o estudo da consciência em suas modalidades de percepção, imaginação, memória, linguagem, inteligência, experiência, comportamento, reflexão, vontade, desejo e paixões, procurando descrever as formas e os conteúdos dessas modalidades de relação entre o ser humano e o mundo.
filosofia

O caminho aberto pela Filosofia, portanto, é marcado, sobretudo por debates e controvérsias, e não por unanimidades e certezas. O método é a discussão das teorias propostas para resolver os problemas, a formulação de argumentos e a análise dos argumentos apresentados para atacar e defender essas teorias. Agora podemos ver com clareza por que filósofos diferentes podem oferecer definições tão diferentes da Filosofia, e também por que as investigações filosóficas são freqüentemente inconclusivas: o problema de definir a si própria, assim como o fato das suas investigações não chegarem a resultados universalmente aceitos, indica algo da própria essência da Filosofia – seu caráter crítico.

A verdade do mundo e dos humanos pode ser conhecida por todos, através da razão, que é a mesma em todos. A Natureza segue leis necessárias que podemos conhecer, mas nem tudo é possível por mais que queiramos. Tais conhecimentos dependem do uso correto da razão ou do pensamento.

“A mente é o homem, e o conhecimento é a mente; um homem é apenas aquilo que sabe”. (Francis Bacon). O homem é o senhor da natureza à medida que, conhecendo suas leis, pode adaptá-las às suas necessidades. Podemos transformar a natureza, porém nunca conseguiremos modificar suas leis, por esta razão, não é possível comanda-la sem obedecer suas referidas leis.

Conclusão

Dizer que a Filosofia não se caracteriza em função de um setor determinado de objetos não significa que ela não tenha objetos no sentido de temas com os quais ela se ocupa. Os conceitos fundamentais utilizados nas diferentes ciências, nas artes, e até mesmo na nossa vida cotidiana são estudados pela Filosofia. Por isso, costuma-se dizer que a Filosofia é o estudo dos primeiros princípios, isto é, princípios a partir dos quais outros saberes são fundamentados ou justificados.

Pretender esvaziar a importância da reflexão filosófica porque depois de 2500 anos os filósofos não chegaram ainda a conclusões definitivas é desconhecer a natureza dos problemas com os quais a filosofia lida. O fato de não se ter até hoje um conceito definitivo de justiça, por exemplo, não pode nem tornar dispensável a busca por tal conceito nem diminuir a importância desse problema. É verdade que muitos dos problemas debatidos hoje são os mesmos que eram discutidos na antiga Grécia. Mas é um erro pensar que tais problemas estão, hoje, no mesmo ponto em que estavam no primeiro momento em que foram colocados. Afirmar que não é possível saber o que é a Filosofia porque os filósofos não apresentam uma única definição do seu próprio objeto de estudo é desconhecer a característica comum que costura toda a investigação filosófica, desde a Antigüidade grega – o caráter crítico.
filo

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Evidências de que a terra não tem bilhões de anos?

Publicado por teiversonalves em Abril 17, 2007

Tire sua conclusão e divulgue no blogue.

Achei o video muito interessante, onde se mostra com muita habilidade a defesa de um pensamento. Como não sou especialista em geologia ou química, confesso não ter agora capacidade de contra argumentar o vídeo. Portanto, a minha primeira impressão é de achar até mesmos plausível que o carvão mineral e o petróleo possam ser formados em pouco tempo. Se fabrica até mesmo diamante em laboratório.
Entretando, conforme a ciência, pelo método científico (“cético”), analiza os afatos e tira suas conclusões; enquanto que as pessoas com uma idéia pré-formada em entender o mundo, tentam achar fatos que sustentam a sua crença. Quando digo em idéia pré-formada, me refiro à idéia divulgada por outro método que não seja o científico, isto é, por um livro sagrado, por exemplo.

No caso deste vídeo, o que se percebe é o questionamento de todo um conceito muito bem estabelecido na ciência oficial, baseando-se nos experimentos desses pesquisadores. A explicação do movimento dos continentes foi possivelmente o ponto mais fraco do vídeo (aos meus olhos). Achei muito forçada.
Para se explicar o dilúvio em si, deve-se considerar muitos outros aspectos não abordados, inclusive a resistência das plantas a submersão em água, e não acho que um trabalho focando dados unicamente geológicos e mineralógicos sejam suficiente para derrubar todo um conceito muito bem aceito pela Ciência.
Os pesquisadores do vídeo mostraram nítida intensão em corroborar o que está escrito na Bíblia (um dos muitos livros sagrados do mundo), com seus dados (e suas idéias). E Ciência não se faz corroborando idéias formadas, e sim tirando conclusões do que é observado em experimentos dentro do método científico.

Inquisição é uma palavra um tanto quanto forte:
Uma idéia pode ser defendida, ao meu ver, utilizando-se duas ferramentas, não mutuamente exclusivas:
1- Informações técnicas e lógicas: é onde se explica por A + B como se chega a conclusão a ser defendida. Obviamente que explicar para o público coisas simples, que exige poucas informações técnicas, é muito mais fácil e convincente que explicar algo extremamente complicado, que exige anos de estudo e vários conceitos técnicos devidamente amadurecidos, por parte do público.
2- Retórica: é a habilidade de se comunicar, por parte do orador. É quando o orador advoga as suas idéias, sabe enchergar a situação do público e sabe manobrar todo mundo para conseguir a credibilidade necessária para implantar as suas idéias.

Eu costumo dar crediblidade às idéias defensáveis pelo método 1 aqui descrito. Gosto de correr atráz da literatura específica, de entender um monte de conceitos e de tirar as minhas conclusões. Apezar dos cientistas serem humanos, de errarem, de muitos serem mau intencionados, orgulhosos, “donos da verdade” e por aí vai; vejo no método científico algo muito mais confiável, em relação a origem de tudo, que pode ser o mesmo método da Bíblia por exemplo, no entanto com nominações diferentes, as quais são complicadas de entender com a parte cientifíca. Isso é uma opinião pessoal minha.
Agora, dizer por termos fortes que existe uma inquisição, passando a mensagem que na ciência existe um monte de mentiras, e etc. é muito mais retórico do que técnico, e por isso não dou credibilidade. Acho esse tipo de pensamento preconceituoso com a ideologia alheia, com um misto de revolta, e por isso que sou pé atráz com argumentos defendidos com muita retórica, porém com pouca coerência técnica.

Vejo que o cético analisa os fatos e tira conclusões.
O crente tem as conclusões e procura os fatos pra corroborá-la.

Como foi afirmado no início do texto.

No entanto, percebo que o melhor mesmo é acreditar em Deus e viver com simplicidade e humildade. Essas dúvidas só nos afasta da realidade em que vivemos.
Paz a todos.

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