Carta feita por Dimitri Mattos, direcionada a Ibisen, o ante herói. ^^
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Vergonha na cara aos COVARDES como EU!
Prezado Ibisen, diante de uma criteriosa reflexão, pouca coisa permanece de pé, diante da auto-crítica, da introspecção, os egos que tendem ao racional – pelo menos os de alguns bem-aventurados – ponderam a sua participação nos acontecimentos que os envolvem e as suas responsabilidades sobre os mesmos. Ao apurar como dolosa (culposa) a sua participação nos referidos acontecimentos, envergonham-se e tentam fazer de cada erro próprio ou alheio uma oportunidade para um novo aprendizado. Em tempo, considerando-se que se a cada erro ele obtiver um novo aprendizado, ele obterá no somatório dos inumeráveis erros comuns às vidas humanas, significativo crescimento. Sim, esse é o grande mérito do racionalista, saber transformar cada cinca, cada gafe, lapso, tropeço, deslize, impropério, impertinência no desejo obcecado pelo acerto. Aqui, muitos desavisados confundir-nos-iam com apologia da estupidez, da ignorância. Mas o grande legado da evolução é ratar bem menos, em menor número, como um destro*, exímio enxadrista no auge e exuberância de sua forma.
*(Nada contra os canhótos, sim, lê-se canhótos, plural metafônico, pois vogal tônica, infelizmente o adjetivo destro de per si é de natureza discriminatória)
Este é um momento ímpar, é um momento para repudiarmos a nossa catalepsia, letargia, o nosso conformismo, nefelibatismo, alienação, a nossa demência, a nossa falta de VERGONHA diante da manutenção sistemática de nossos ERROS. É a oportunidade de mostrarmos, de provarmos minimamente – permitais o pleonasmo – um MÍNIMO de inteligência. Sair da retórica mesquinha (ou seria mesquinha retórica?), da pequenez de atribuir os nossos possíveis dolos sempre a terceiros, fenômenos da natureza, governos, gestões, administrações, entidades, pais de santo, ou quiçá um outro sorrateiro artífice. Um estudante oriental, depois da árdua escalada de 15 anos de estudo e empenho, ao sucumbir diante de um processo pseudo-seletivo, seja lá qual for à ordem causal, projeta seu ser – aviltado pelas circunstâncias descritas – do primeiro viaduto. – E nós?
Nós toleramos a nossa mediocridade, pior, colocamo-nos a conviver desprezivelmente com ela. Negligenciamos os nossos destinos. Ignoramos nossa insuportável existência, tornado-a a tão vegetativa quanto insignificante for possível. Essa última consideração me faz lembrar da quimera do poeta: Charles C. Chaplin, vugo Carlitos:
“Soldados, não vos entregueis a esses brutais, que vos escravizam, que vos arregimentam, que vos transformam um bucha para canhão, que vos transformam em gado humano, que vos fazem marchar a passo de ganso para seus morticínios…”
Conhecemos o caráter selvagem, cruel, inóspito, arredio, insalubre – nem chamo o caráter de desumano porque humano nunca foi lá sinônimo de boa coisa – o alto preço, custo, que tem a conquista da sobrevivência nos dias atuais, talvez por um sistema imposto ou consensual, não julguemos o mérito de uma questão tão complexa irresponsavelmente agora, não é o momento, é sim, um momento de nos fortalecer, não ignorando que nesse sistema arregimentador despótico, é acirradamente competitivo e sendo assim necessitamos eliminar os mais fracos, como a grande palavra de ordem de qualquer cadeia alimentar e da mais notória e perfeita coadunância, convergência ideológico-cognitiva com a evolução Darwiniana: Os mais fortes, aptos sobrevivem! Notam-se aqui duas leis Dimitrinianas: decorrentes e recorrentes: a primeira lei Dimitriniana é oriunda da primeira assertiva (premissa): “Tanto mais os homens “evoluem”, mais precárias se tornam as suas relações”, e a outra contempla Darwin conforme a segunda assertiva(premissa): “As relações humanas mais aceitas e praticadas, são as originalmente, essencialmente do mundo animal”. Em outras palavras, o homem incentiva, fomenta a sua autodestruição, portanto: destrua, coma, esmague, apague, pulverize, delete, shift + delete, ilegitime, aniquile seu vizinho, o seu próximo – segundo Ibisen, pensador contemporâneo, coma-o, antropofógueo*, como Hannibal**, compre o cadáver alheio – SIM, hesitou? Claudicou? Vascilou? Que é isso, ele está tirando a SAÚDE, A ALIMENTAÇÃO glutônica, O TRANSPORTE - o carrão, a motassa, o jatinho o avião – O LAZER, TODOS OS ELEMENTOS MATERIAIS “INDISPENSÁVEIS” DE VC e inflamando seu EGOÍSMO… Esse é o sistema que a NATUREZA HUMANA escolheu! Carpem diem!
Antropofógueo* = Neologismo, criação de palavra, vem de antropofagia, antro=homem, primata; fagos=comer.
Hannibal** = Personagem principal, protagonista de Silent Lamb (o Silêncio dos Inocentes), vivido por Anthony Hopckins e muito citado por Ibisen.
-Ibisen! Aqui está o egoísmo ABSOLUTO! O egoísmo pelo egoísmo, a destruição do homem pelo homem, que a ignorância é servil e vem prestigiar… Para que evoluir? Para que ter uma relação RACIONAL? Pelo sentimento mais mesquinho que existe: EGOÍSMO. Ibisen eu quero ser melhor que você! Eu sou melhor que você, eu mereço mais que você, sou mais bonito que você, meu membro escroto-reprodutor-prouver-sexual é maior que o seu, sinto muito! Aqui está!!! Por-nos-emos a destruir uns aos outros!
Ao deparar-se com o fantasma da derrota, muitas das vezes, depois de nos entregar as quaisquer adversidades, deixarmo-nos vencer pelos mais transponíveis obstáculos, sobrepujarmo-nos pelos mais incompetentes adversários é comum às pessoas imputarem a culpabilidade dos seus fracassos, infortúnios a qualquer outra coisa que não elas mesmas, uma atitude que revela de per si, por si mesma, covardia, fragilidade e vulnerabilidade.
“A coragem contém em si o poder, o gênio e a magia”. (Goethe-pensador alemão). Mais do que de culpados, bodes-espiatórios, precisamos encontrar em nós mesmos a origem dos nossos fracassos, dos nossos medos, das nossas fraquezas, mais do que de COVARDIA e DISSIMULAÇÃO, da auto-mentira, necessitamos MUDAR, transformar a nossa REALIDADE, acreditarmos que podemos, a coragem contém em si o poder, o gênio e a magia – muitos mal informados aqui atribuir-nos-iam a alcunha de místicos! – o que UM homem pode fazer, o OUTRO também pode, e mais do que de discursos inebriados de utopia, surrealismo, necessitamos de prática, de ação planejada, enfrentar as intempéries com a fúria dos gladiadores mais implacáveis; devemos superar o medo, a indiferença, a ociosidade e o tédio; precisamos materializar nossos sonhos, nossas idéias, transformar nossas conjecturas em verdades, nossas divagações em realidades, nossos planos em METAS.
Não obstante, em consonância com o exposto, para que consigamos vislumbrar algo que relutamos admitir, algo que fira intimamente e definitivamente o próprio ORGULHO (EGOÍSMO), algo que vilipendia inexpugnavelmente a própria carne, é preciso obter as credenciais, beber no poço infinito do saber, beber na fonte em que esses imarcescíveis, inexpugnáveis, intangíveis, etéreos, sublimes, enlevados homens beberam e fomentam como inesgotáveis mananciais! :
Pitágoras, Tales de Mileto; Hipócrates; Sócrates; Aristóteles; Platão; Copérnico; Galileu; Lamark; Darwin; Leibniz; George Ohm; Dalton; Mendeleyjev; Bohr; Rutheford; Goethe, Holbach, Newton; Kant; Shopenhauer; Descartes; Nietsche; John Locke; Sartre; François Marie Arouet (Voltaire); Evangelista Torricelli, Bertrand Russel, Rousseau, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov, Nicolai Vassiliévitch Gogol…
Entre outros tão injustamente omitidos e negligenciados… Eis que surge uma questão? VC bebeu algum dos mesmos hoje? BEBA, se não, não terá credenciais para sobrepujar seus obstáculos, nem mesmo poderá compreendê-los… Se não amaldiçoada será sua hora, anatematizado será o seu dia, excomungado será o seu mês, esconjurado será o seu ano, mal afortunada será a sua vida, por toda a sua existência…
Muitos agnósticos-fideístas nesse momento chamá-los-iam de DEUS, inclusive EU, acreditando que DEUS é conhecimento, razão, entendimento, consciência, justiça, erudição, harmonia, equilíbrio, ciência, universo, elemento, matéria… Deus é a negação da ignorância – não se coaduna com a mediocridade, com os massacres e tampouco com os seus sectários – êstes ilegitimam, PROFANAM as suas religiões, dogmas em seus princípios mais fundamentais – já DEUS é como a LUZ, a luz do saber, que aclara tua’mente, como os caracteres superiores.







